quarta-feira, 18 de julho de 2012


FILOSOFIA NA ESCOLA: A CONSTITUIÇÃO DA DISCIPLINA A PARTIR DAS PRÁTICAS DOCENTES 


AUTORA: KATIUSKA IZAGUIRRY MARÇAL
ORIENTADORA: ELISETE M. TOMAZETTI 


A questão sobre a possibilidade da atividade filosófica na escola – uma instituição típica de nossa sociedade que carrega a responsabilidade de transmitir as formas de pensamento existentes em nossa cultura – constitui importante aspecto na recente história da (re) inclusão da disciplina de filosofia no ensino médio brasileiro. É sob tal paradigma que foi desenvolvida essa pesquisa, pertencente à Linha de Pesquisa dois: Políticas Públicas e Práticas Escolares, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Maria. Seu objetivo foi investigar os discursos que perpassam a escola, a aula de filosofia e os sujeitos-professores de filosofia e que, de alguma forma, produzem uma aparente separação entre o ensino da filosofia e o filosofar. As materialidades utilizadas na investigação foram os documentos das políticas públicas sobre educação e sobre a disciplina de filosofia, os documentos das escolas e/ou das instituições de formação superior, os textos filosóficos e acadêmicos (que dissertam sobre educação, ensino de filosofia, atividade do filosofar), mas prioritariamente, as falas de professores de filosofia.  Supõe-se, pois, que o sujeito representado pelo professor é passível do entrecruzamento dos mais diversos discursos a constituírem os saberes sobre filosofia e ensino, contemporaneamente.  A leitura tanto dos documentos como das falas – provenientes de entrevistas individuais semi-estruturadas – consistiu no exercício de uma análise discursiva arquegenealógica, conforme os postulados desenvolvidos por Michel Foucault.  Neste sentido, a presente dissertação apresenta e desenvolvem conceitos tais como discurso, enunciado, arqueologia, genealogia, sujeito do discurso.  Por conseguinte, como resultados desta investigação, destacam-se determinadas concepções de filosofia, filosofar e de ensino de filosofia atravessadas por referentes, como: ensinar X pesquisar, história da filosofia, texto clássico, crítica, diálogo, pensar/pensamento, prática, etc. Estes referentes apresentam por si mesmos, tensões no que confere às práticas pedagógicas a que remetem.  Não obstante, são conceitos produzidos no seio da própria filosofia e carregam, por isso, tensões também relativas à constituição deste saber.  Eles denotam alguns paradoxos da filosofia e do ensino de filosofia e remetem à máxima kantiana “Não se ensina filosofia. Ensina-se a filosofar”. Por fim, a pesquisa volta-se a uma análise das estratégias de poder e governamentalidade efetuada na escola a fim de compreender as relações entre o discurso docente e suas condicionantes institucionais e políticas.  Neste sentido, encontram-se consonâncias entre as práticas docentes e determinados conceitos disciplinares e de controle. 
  

Palavras-chaves: Ensino de Filosofia. Escola. Arqueologia. Genealogia. Discurso.

Tese completa: http://ppge.rswa.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Disserta%C3%A7%C3%A3o-Katiuska.pdf

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